sábado, 2 de janeiro de 2016

Boa ação de Natal: Dando de comer a quem tem fome

Há muitos anos, fui voluntária na distribuição de sanduíches à moradores de rua na noite de Natal, a experiência foi tão marcante que entrei para o grupo e passei a fazer a distribuição fixa semanalmente, que era feita pelo grupo de jovens da paróquia próxima daqui de casa, onde todos seguiam noite afora amontoados num bugre com os farnéis no colo, íamos da Praça da Bandeira ao Cais do Porto, parando todos os moradores de rua pelo caminho, saltávamos do bugre pelas aberturas laterais e no fundo, nos divertíamos muito. Um dos amigos desse grupo era sobrevivente da chacina da Candelária e tudo isso aparece aqui no blog em postagens anteriores, "Natal Sustentável" e "Nos 20 anos da Chacina da Candelária: Procura-se Aparecida e Dalila Ribeiro da Silva". O grupo acabou e eu fiquei um pouco órfã, adorava a atividade e as pessoas, que viraram amigos para sempre.

Voltei a morar na Tijuca e ao doar meu décimo terceiro ao abrigo de animais do Rio Comprido, notei uma igreja exatamente em frente que anunciava "Distribuição diária de sopa aos irmãos de rua". Aquilo me impressionou, porque não é uma atividade paroquial simples, é preciso infraestrutura de cozinha, doação regular de alimentos, braços dispostos a cozinhar ou pelo menos a servir sopa e lavar louça diariamente e principalmente, organização e segurança em um salão paroquial à parte para acolher os moradores de rua.
Mas, como na época, eu já distribuía cestas básicas às prostitutas da Vila Mimosa (as famosas "meninas do mangue") cadastradas na paróquia vizinha a minha casa, deixei passar.
Anos depois, o grupo de distribuição também se desfez e lembrei desse trabalho com moradores de rua no Rio Comprido. Fui conhecer, adorei e participei diariamente até voltar a trabalhar como professora esse ano. É uma trabalheira, mas uma experiência única de fazer o bem e servir ao próximo. Continuam por lá e aceitam doações de todas as espécies (até de remédios para o ambulatório popular), caso alguém se interesse, eu é que não tenho mais disponibilidade.


Afastada do sopão diário, estava pensando no que fazer no Dia de Natal desse ano, quando vi no Bafafá, a Ceia para moradores de rua do Bar Bip Bip, um dos melhores bares do Rio, famoso por suas rodas de samba e choro, considerado patrimônio imaterial da cidade, uma delícia de bar numa rua com acesso proibido a carros e de frente para o mar de Copacabana, ponto do saudoso Rancho Flor do Sereno.
Organizada e financiada pelo seu proprietário, o querido Alfredinho, a Ceia acontece há anos e hoje, existem tantos jovens e clientes do bar ajudando, que eu fui e acabei ficando sem ter muito o que fazer. Fiz as fotos, dei um abraço em todos, especialmente no Alfredinho, tomei um banho de mar e voltei para casa. A frase mais ouvida no local e na página do Bip Bip no facebook, que eu curto obviamente, "Imagina se todos os bares fizessem isso no Dia de Natal?"

Ceia caprichada com arroz, farofa e peru, servida pelos frequentadores, que almoçam junto com os moradores de rua.











Toda vez que eu vejo essa carta seríssima que o pároco da Nsa. Sra. das Dores, uma pessoa ótima, muito gentilmente forneceu como referência para me ajudar a conseguir meu emprego atual, fico me perguntando se a única coisa que nos une não seria o amor desinteressado, manifesto com leveza e alegria. Se existe um Deus, ele não estaria presente nos passeios de bugre pela madrugada com os meninos do grupo dos sanduíches, no falatório do mulherio na cozinha do sopão e nesses boêmios almoçando e conversando com pessoas que normalmente são desprezadas por todos?
Se no final dos tempos, nós seremos um único rebanho, guiado por um único pastor e o aniversariante do Dia de Natal, ainda foi um rebelde executado pelo Império vigente, porque nos exortou a vender tudo para seguí-lo, esses boêmios maravilhosos representam melhor o conceito de cristandade do que nossa bancada evangélica.







Outras coisas deliciosas em Copa para todos os dias do ano: o sanduba do Cervantes (foto abaixo), a trilha na Mata Atlântica reflorestada do Parque da Chacrinha (foto abaixo), os sorvetes do Lopes e da Delícias do Cerrado (foto abaixo), o Shopping dos Antiquários, a feira de antiguidades semanal do Shopping Cassino Atlântico, os tira-gostos da Adega Pérola, a filial da Colombo dentro do Forte, as bandas de bairro no Carnaval, a pastéis do Carangueijo e do Principe de Monaco, a pedra do Leme...



Cãozinho de frequentador, ganha o osso do presunto sempre!






Indo tomar esses sorvetes únicos, vá preferencialmente num sábado e aproveite para conhecer a feira de antiguidades do Shopping Cassino Atlântico no mesmo prédio.





Mais informação:
Louvado seja
Boteco, o filme
Natal Sustentável 
Guia Slow Food para Cariocas
Shopping dos Antiquários em Copacabana
Voltar para dar aula na Instituição por onde me formei
Boa Ação de Natal: Dê um destino nobre ao seu 13º, doe uma parte
Nos 20 anos da Chacina da Candelária: Procura-se Aparecida e Dalila Ribeiro da Silva

Nenhum comentário: