quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Sempre alerta



Eu não tive filhos, mas vejo nas redes sociais uma grande discussão sobre a novidade da escola de princesas e os cursos de desprincesamento para meninas criados em resposta, ambos diametralmente opostos e gerando discussões ferrenhas com ânimos exaltados.
Não conheço nenhum dos dois cursos, tampouco o novo grupo de meninas da Igreja Universal com aulas e atividades específicas que, segundo os organizadores, opera milagres nas vidinhas de suas discípulas. Nada contra, nada a favor.

Mas eu conheço uma Organização para meninos e meninas de todas as idades, classes sociais, credos e nacionalidades basicamente gratuita e alicerçada em valores extremamente conservadores, mas nem por isso menos válidos, ou talvez justamente por isso, que se mantém há 100 anos com uma tradição sem qualquer escândalo: Escotismo (e claro, Bandeirantes).
Porque é possível ser conservador e não ser boçal, como também é mais do que viável criar meninos e meninas em pé de igualdade sem agredir os tradicionalistas

Uma das minhas muitas frustrações na vida foi nunca ter sido escoteira, conheci alguns chefes de grupo já adulta e cheguei a ajudar voluntariamente os dois grupos de Escoteiros do Mar de minha cidade em Festas Juninas, no Morro Azul no Flamengo e no Clube Piraquê na Lagoa.
Guardo as experiências com muito carinho e de outros eventos, lembro de ter lidado com as crianças mais educadas, prestativas e obedientes que já conheci.

Como acompanho as páginas escoteiras no Facebook, pude ver que o Escotismo, assim como Bandeirantes, só agrega valores positivos para qualquer pessoa, que continuará escoteira pelo resto de sua vida, pois estimula a participação dos pais, engajamento em atividades sociais, voluntárias e esportivas, assim como a construção de valores como honestidade, liderança, altruísmo, lealdade, disciplina e respeito às diferenças.
Em muitos países, onde conflitos armados são uma realidade, o Escotismo funciona como a única opção às crianças fora das milícias. Aqui mesmo no Brasil, há grupos escoteiros funcionando normalmente dentro de comunidades e claro, todos os seus membros tiveram um destino muito melhor do que os vizinhos aliciados pelo tráfico.
Mesmo em configurações sociais perfeitas, saber que seu filho está passando o dia ativo e em segurança no Grupo Escoteiro é muito melhor do que tentar convencê-lo a largar o celular ou qualquer game dentro de um apartamento.

Quando do deslizamento de encostas na Região Serrana em 2010, uma tragédia que vitimou mais de mil pessoas e segue impune até hoje, passei todo o período na Sede da Cruz Vermelha do Rio de Janeiro ajudando a separar e carregar fardos de donativos, como já havia colaborado quando do deslizamento do Morro do Bumba, igualmente impune. Ambas as experiências foram tão fortes em generosidade e humildade, que fiz questão de registrar aqui no blog.
Em todos os dias, pudemos contar com a colaboração alegre e incansável de diversos grupos escoteiros devidamente uniformizados.
Anos depois, presenciei escoteiros colaborarem voluntariamente em ocasiões e situações tão distintas quanto casamentos coletivos comunitários e maratonas urbanas pelo câncer. Sempre alertas.

Particularmente acredito que o Escotismo seja a melhor opção para qualquer criança em qualquer circunstância. Infelizmente as realidades familiares estão cada vez mais complicadas e a presença de figuras de autoridade e proteção em acampamentos, regatas e atividades voluntárias sempre de viés comunitário podem ser fundamentais para uma criança em formação, que muitas vezes não terá nenhuma outra referência na própria família ou escola.
Um dos meus melhores amigos não teve praticamente contato com seu pai na infância e adolescência, sua figura paterna foi o Sensei (mestre) de judô - um sujeito realmente fora de série, que retirou outros jovens das drogas e continua sendo um líder até hoje. Influenciou muitos conhecidos meus e, graças à boa influência dele, todos esses rapazes tornaram-se bons profissionais, maridos e pais, além de chegarem à faixa preta, é claro.
Como nem sempre é possível ter a mesma sorte, o Escotismo garante contatos e vínculos por toda uma vida em todo o mundo, já que promove atividades e formação para todas as idades.





Texto retirado do site dos Escoteiros do Brasil:
São bastante comuns os relatos de pais ou professores que percebem mudanças significativas no comportamento das crianças, adolescentes e jovens. Por meio das atividades que exigem concentração e esforço, de ações comunitárias e de um conjunto de valores que envolvem a lealdade, cortesia e educação, desenvolvemos a autonomia, a integração social, além do conceito de cidadania. Crianças e jovens inseguros ou tímidos acabam conquistando mais autoconfiança por meio desses estímulos emocionais e físicos.
Nossa intenção é proporcionar um ambiente de colaboração, onde se constroem amizades e valores levados por toda a vida. É por meio das atividades oferecidas que os jovens se desenvolvem, sendo incentivados a assumir liderança, a pensar e agir de maneira coletiva e sustentável, a se envolver com a comunidade, afim de tornarem-se independentes de forma responsável.
Prezamos o respeito, incentivando uma cultura de paz para que, assim, possamos entregar pessoas melhores à comunidade.




Mas você quer que sua princesinha encontre um príncipe encantado e seja muito glamourosa, o mais parecida possível com Kate Middleton...  Só observe que a princesa mais badalada do mundo faz mais do que usar vestidos caros e lançar moda. Dá uma olhada nas histórias abaixo e veja se o Escotismo (ou Bandeirantes) não é uma opção muito melhor, mais sadia para qualquer criança e mais barata para o seu bolso (é você quem paga, não a princesinha).
E não custa lembrar que a avó do Príncipe (que não é encantado, mas piloto de caças pela Força Aérea de seu país), a atual Rainha, é exímia mecânica e motorista de caminhões, trabalhou ativamente como voluntária nas frentes de batalha durante a Segunda Guerra Mundial. Depois de coroada, casou-se e teve muitos filhos como manda a tradição, mas de todos, o único medalhista olímpico, foi a única filha mulher do clã, tia desse Príncipe.

Duchess of Cambridge qualifies as advanced diver (Duquesa de Cambridge qualifica-se como mergulhadora avançada)

How deep is your love: Kate Middleton gets advanced diving certification just like William (Quão profundo é o amor: Kate Middleton obtém qualificação avançada de mergulho exatamente como William





E quem sabe, dentro de um ambiente tão plural e ao mesmo tempo sólido como o Escotismo, não seja possível que sua filha até encontre seu companheiro de vida, se isso for o que ela realmente quiser para si mesma.
Mas, o mais importante, nossas meninas vão ter finalmente aprendido que existem mais opções do que ser só uma princesinha (do papai e do marido) e que, na verdade elas nem precisam de nada disso.

O que eu mais gosto na história abaixo, de um casal de escoteiros há mais de 50 anos na ativa: a mocinha já tinha posição de destaque no grupo enquanto ele, apesar de mais velho, apenas iniciava (o que deve ter obrigado esse rapaz a pedir autorização dela para algumas atividades) e o que ele reparou primeiro nela, a responsabilidade.

No Facebook, Elmer Pessoa com Lenita Pessoa: HOJE É UM DIA MUITO FELIZ! (curtido até agora por 459 pessoas)

Completa neste dia 70 anos de vida e com 55 anos de Escotismo! Lenita, uma esposa p/ toda vida! Não precisei de outra... Um feliz casamento de 47 anos c/ duas filhas e um casal de netos e mais dois a caminho! Pode existir alguém tão feliz quanto eu, mas, mais feliz, não existe! Estamos ficando velhos juntos? Não. Velhos não, pois o que é velho joga-se fora! Estamos ficando idosos juntos, dia a dia, vivendo a plenitude da vida. Continuamos trabalhando juntos, voluntários ativos e admito que seja eu quem dá o maior trabalho para ela...
Lenita continua sendo a minha garotinha, a mesma que começamos a namorar, ela c/ 15 aninhos e mesmo assim, já responsável, sendo Akelá do meu Grupo Escoteiro, isso em 1960! Vivemos duas vidas juntos: a vida familiar e a vida escoteira e, se Deus nos permitir, seguiremos estas duas trilhas por mais algum tempo.
Faria tudo de novo, se fosse possível repetir, talvez c/ mais capricho ainda, pois Lenita merece cada vez mais, o amor que sempre dediquei a ela! E, não se preocupem c/ os 70 anos... Ela tira de “letra”!
Lenita, eu te amo!






Mais sobre Escotismo, história e valores, no Wikipedia:  https://pt.wikipedia.org/wiki/Escotismo
Bandeirantes, Instituição irmã que aceita meninos e meninas:  http://www.bandeirantes.org.br/

Todas as fotos de crianças e adultos escoteiros foram retiradas das páginas públicas sobre Escotismo, as da família real britânica, das reportagens linkadas. A minha favorita é a das escoteiras de tiara de princesa com o homem mais poderoso do planeta, um presidente negro, tido como bom marido e pai de mulheres independentes que, conhecido pelo bom humor e informalidade, topou colocar uma tiara também.



Mais informação:
Para brincar
A Sinfônica do Lixão
Festas Juninas sustentáveis
Por uma infância sustentável
Lancheiras e marmitas saudáveis
Tippi, a filha de fotógrafos criada na África
Os 10 mandamentos do mergulhador consciente
Carta aberta dos Bombeiros do Rio de Janeiro à população
No interior do RN, Exército inaugura primeiro poço artesiano que funciona a energia solar

Porque devemos reduzir o consumo de camarão





Porque devemos reduzir o consumo de camarão


O camarão é uma das comidas mais apreciadas em todo o mundo. Só nos Estados Unidos, cada pessoa come, em média, quatro quilos de camarão por ano, e não é preciso ser-se um especialista na matéria para perceber que esta tendência é insustentável e tem consequências ecológicas devastadoras.Os camarões que acabam nos nossos pratos podem sair de um estado selvagem ou cativeiro.
A técnica de criar camarões em viveiros, carcinicultura, baseia-se na manutenção do crustáceo em piscinas, no litoral, locais onde a maré pode passar e levar o lixo para o mar. Há também viveiros que são preparados com doses muito altas de produtos químicos, como diesel, sendo que os camarões recebem pesticidas, antibióticos e soda cáustica.
Por outro lado, os produtores de camarão já destruíram 38% dos manguezais do mundo, para criar todo o tipo de viveiros – aqui, os danos são permanentes. Quando a produção termina, estes manguezais não voltam ao ponto inicial, tornando-se terrenos baldios. Um estudo da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, concluiu mesmo que a carcinicultura tornou algumas áreas do Bangladesh inabitáveis, causando uma grave crise ambiental.
Para pescar o camarão selvagem, os pescadores utilizam traineiras de águas profundas, um método conhecido como pesca de arrasto – a técnica faz com que as redes pesquem entre dois a nove quilos de outras espécies de peixes para cada quilo de camarão. Para além do crustáceo, assim, são também pescados tubarões, raias, estrelas-do-mar ou tartarugas marinhas.
A pesca de arrasto representa apenas 2% do mercado mundial de camarão, mas é responsável por mais de um terço das pescas acidentais do mundo, sendo uma das maiores ameaçadas globais ao ecossistema marinho.


Saiba por que é uma boa ideia parar de comer camarão 

O camarão faz parte da alimentação de milhares de pessoas pelo mundo. Somente nos Estados Unidos, cada americano come, em média, 4 quilos de camarão por ano. O problema é que, por mais saboroso que esse crustáceo seja, o processo de industrialização dos camarões tem consequências ecológicas devastadoras.


As informações são do portal TreeHugger. Segundo o site, o camarão que vai para o seu prato pode sair do seu estado selvagem ou de um cativeiro. Mas nenhuma das opções é boa para o meio ambiente


Carcinicultura é o nome da técnica de criação de camarões em viveiros. Segundo Jill Richardson, esse camarão é mantido em tanques no litoral. 

Na Índia, esses viveiros são preparados com doses altíssimas de produtos químicos, como ureia e diesel, conforme relata Taras Grescoe em seu livro Bottomfeeder: How to Eat Ethically in a World of Vanishing Seafood. Os camarões criados por lá recebem pesticidas, antibióticos e até soda cáustica. 

Os produtores de camarão já destruíram 38% dos manguezais do mundo para criar esse tipo de viveiro. E o dano é permanente. Quando a produção termina, os manguezais não voltam a ser como antes, e o entorno vira um terreno baldio. Segundo um estudo feito pela Universidade de Yale (EUA), a carcinicultura tonou algumas áreas de Bangladesh inabitáveis, causando uma crise ecológica. 

O camarão selvagem também não parecer ser uma boa opção. Richardson afirma que para pescar o crustáceo, os pescadores usam frequentemente traineiras de águas profundas. Esse método é conhecido como pesca de arrasto, pois as redes em forma de saco são puxadas a uma velocidade que permite que os peixes e crustáceos sejam retidos.  

Essa captura acidental inclui tubarões, arraias, estrelas do mar, tartarugas marinhas, entre outras espécies. Apesar de a pesca de arrasto representar apenas 2% do mercado mundial de camarão, é responsável ​​por mais de um terço das pescas acidentais do mundo. 




RISCOS SÓCIO-AMBIENTAIS AO LONGO DA ZONA COSTEIRA


Antonio Jeovah de Andrade MEIRELES
Prof. Dr. do Departamento de Geografia
Universidade Federal do Ceará – UFC
Departamento de Geografia, Bloco 911, Fortaleza/CE


Carcinicultura
            O IBAMA (2005) realizou o mais completo estudo sobre os impactos ambientais da carcinicultura no Estado do Ceará. As 245 fazendas de camarão, com uma área total de 6.069,97 hectares, foram visitadas para a definição de aproximadamente 39 indicadores diretos de impactos ambientais. 
            Verificou-se que do total das fazendas licenciadas pela Superintendência Estadual do Meio Ambiente SEMACE,  84,1%  impactaram diretamente o ecossistema manguezal (fauna e flora do mangue, apicum e salgado); 25,3% promoveram o desmatamento do carnaubal e 13,9% ocuparam áreas antes destinadas a outros cultivos agrícolas de subsistência. No rio Jaguaribe, 44,2% das piscinas de camarão foram construídas interferindo diretamente no ecossistema manguezal e 63,6% promoveram danos de elevada magnitude a um dos mais importantes carnaubais de nossas bacias hidrográficas. Dados mais assustadores ainda foram definidos nos estuários dos rios Pirangi, Acaraú, Coreaú e Timonha, com 89, 5%,  96,9%, 90,9% e 100% respectivamente, com as atividades de criação de camarão dentro do ecossistema manguezal (nos rios Acaraú, Coreaú e Timonha, 78,1%, 72,7% e 81,8% respectivamente, provocaram desmatamentos da vegetação de mangue). 
            A grande maioria dos empreendimentos proporcionou a disseminação  espécies exóticas, pois não contavam com mecanismos de segurança eficientes para evitar a invasão de uma espécie de camarão (Litopenaeus vannamei) estranha aos manguezais do Brasil. Definiu-se que somente 21,6% dispunham de licença correspondente à sua fase de implantação e dentro da validade. Nas  fazendas abandonadas, os diques continuam como nas em operação, inviabilizando as reações ambientais que dão sustentação à diversidade de fauna e flora do manguezal e dos demais ecossistemas das bacias hidrográficas. Verificou-se também que 77% das fazendas de camarão não contam com bacias de sedimentação (lançam diretamente seus efluentes na água dos rios, lagoas e estuários), o que vem a confirmar os elevados danos ambientais já definidos por pesquisadores das Universidades, representantes de Comitês de Bacias, ambientalistas e comunidades tradicionais (pescadores, agricultores, índios e marisqueiras). Com tais níveis de insustentabilidade ambiental, 67,9% dos criatórios foram acometidos por enfermidades (63% no litoral leste e 90% no oeste), provocando a morte dos camarões e a provável contaminação de outros organismos nativos. 
            Liberar investimentos sob a alegativa de que vai gerar empregos, considerada a mais forte argumentação dos empreendedores, não será mais justificativa, pois foi definido índice de até 3,20 vezes menor em média (empregos diretos observado na totalidade das fazendas) do que o divulgado pela Associação Brasileira de Criadores de Camarão ABCC (2004). No rio Acaraú, por exemplo, foi definido um índice 6,3 vezes menor do que o propalado pelos carcinicultores. Quando a SEMACE libera as fazendas de camarão, através de pareceres técnicos que orientaram o Conselho Estadual de Meio Ambiente COEMA, dentro do ecossistema manguezal (apicum e salgado) e demais unidades de preservação permanente (áreas úmidas, mata ciliar e carnaubal), está cometendo um grave dano socioambiental. A Resolução 02/2002, que orienta a carcinicultura no Ceará deverá ser completamente revista e suspenso os licenciamentos. 
            Nas terras indígenas Tremembé de Almofala e de São José e Buriti, as fazendas de camarão desmataram o ecossistema manguezal e a mata ciliar. Utilizou um sistema lacustre de usufruto da comunidade indígena extinguindo uma importante fonte de alimento. Danos sócio-ambientais e culturais de elevada magnitude. 
            Verificaram-se impactos de elevada magnitude relacionados com a salinização do aqüífero. Ao longo do estuário do rio Jaguaribe, comunidades de pescadores como Cumbe e Porto do Céu,  tiveram seus mananciais subterrâneos salinizados. Evidenciaram-se problemas desta natureza também nos estuários dos rios Pirangi e Acaraú. 
            Constatou-se que esta atividade levou em conta unicamente os custos de mercado, em detrimento dos danos ambientais, ecológicos, culturais e à biodiversidade. Comunidades foram expulsas de suas atividades tradicionais, índios estão em grave perigo de perda de suas bases alimentar e cultura, pescadores foram torturados, ameaçados de morte e impedidos de pescar. Agora resta exigir a paralisação das atividades, recuperação das áreas degradadas e, definitivamente, levar em conta os lamentos dos povos do mar e seus motivos para preservar ecossistemas que irão sustentar a qualidade de vida das futuras gerações.

Os principais danos ambientais relacionados com a carcinicultura foram (IBAMA, 2005; Meireles 2004; Araújo e Araújo, 2004; GT-Carcinicultura, 2004; Cassola et al., 2004; Meireles e Vicente da Silva, 2003; BIOMA/NEMA, 2002; Tupinambá, 2002; Coelho Jr. e Schaeffer-Novelli, 2000): desmatamento do manguezal, da mata ciliar o do carnaubal; extinção de setores de apicum; soterramento de gamboas e canais de maré; bloqueio do fluxo das marés; contaminação da água por efluentes dos viveiros e das fazendas de larva e pós-larva; salinização do aqüífero;  impermeabilização do solo associado ao ecossistema manguezal, ao carnaubal e á mata ciliar; erosão dos taludes, dos  diques e dos canais de abastecimento e de deságüe; empreendimentos sem bacias de sedimentação; fuga de camarão exótico para ambientes fluviais e fluviomarinhos; redução e extinção de  habitates de numerosas espécies; extinção de áreas de mariscagem, pesca e captura de caranguejos; disseminação de doenças (crustáceos); expulsão de marisqueiras, pescadores e   catadores  de caranguejo de suas áreas de trabalho; dificultar e/ou impedir acesso ao estuário e ao manguezal; exclusão das comunidades tradicionais no planejamento participativo; doenças respiratórias e óbitos com a utilização do metabissulfito; pressão para compra de terras; desconhecimento do número exato de fazendas de camarão; inexistência de manejo; não definição dos impactos cumulativos e biodiversidade ameaçada. 








Site Oficial MPF/RN: MPF/RN se posiciona contra projeto de lei que libera carcinicultura em áreas de mangue


Procuradores já enviaram, junto com Ibama, documento ao governo com razões para veto e pedido de criação de um grupo de trabalho
O Ministério Público Federal no Rio Grande do Norte (MPF/RN) é contrário ao Projeto de Lei 63/2015, aprovado na Assembleia Legislativa e que qualifica a criação de camarão (carcinicultura) como atividade agrossilvipastoril, permitindo que seja desenvolvida mesmo em áreas de proteção ambiental permanente, como os manguezais.
Para o MPF, a proposta, além de inconstitucional, trará danos ao meio ambiente e à sustentabilidade da região costeira do Rio Grande do Norte. Diversas ONGs e instituições já se posicionaram contra o PL 63/2015, incluindo entidades como o Ibama e a Comissão de Direito Ambiental da OAB. O Projeto de Lei foi aprovado pela Assembleia Legislativa no dia 16 de julho, com apenas um voto contrário, e seguiu para sanção ou veto do governador Robinson Faria. 
A proposta permite a realização da atividade de criação de camarão em ecossistemas ambientalmente frágeis, como os mangues, considerados áreas de proteção permanente pelo Código Florestal Brasileiro e que servem como berçário da vida aquática.
Razões para veto - Em documento enviado ao governador Robinson Faria e à Consultoria Geral do Estado, os procuradores da República Clarisier Azevedo, Victor Mariz e Victor Queiroga - bem como o superintendente do Ibama, Luiz Eduardo Bonilha - apontam a clara inconstitucionalidade do projeto de lei, que viola trechos dos artigos 22, 23, 24 e 225 da Constituição Federal, além dos artigos 150 e 152 da Constituição do Estado.
As duas instituições lembram ainda que uma possível sanção causará insegurança jurídica, gerando demandas judiciais com o objetivo de anular possíveis licenciamentos que se baseiem na nova legislação. Isso resultaria, ao final, em desocupações de áreas e na perda de investimentos públicos e privados, que poderiam ter sido destinados a locais onde a atividade é legalmente permitida.
Ibama e MPF sugerem a formação de um grupo de trabalho interdisciplinar para regular de forma adequada e sustentável a atividade de carcinicultura no Rio Grande do Norte. A sugestão é que o grupo seja composto de técnicos, produtores, cientistas, representantes de classes profissionais, órgãos públicos de fomento e controle da atividade, representantes do Estado, OAB, ONGs e membros do Ministério Público.
O Projeto de Lei 063/2015, além de violar a legislação ambiental brasileira, fere vários tratados, convenções e acordos internacionais dos quais o Brasil é signatário, dentre os quais o Tratado de Ramsar.


Cartilha da SVB sobre carne e sustentabilidade: Um fato emblemático que revela a inconsequência da produção industrial de carne: em 1960, um grande tsunami atingiu a costa de Bangladesh. Apesar dos prejuízos materiais, não houve uma única perda humana. No entanto, vários milhares de pessoas morreram quando um tsunami de magnitude similar arrasou a mesma área, em 1991. Por que a diferença? Neste meio tempo, os imensos manguezais, que davam proteção natural àquela região, foram devastados para dar lugar a inúmeras fazendas industriais de carnicicultura (criação de camarões em cativeiro).


Para armar os tanques e cercados (das fazendas aquáticas de pescados e frutos do mar), já se eliminou metade dos manguezais da Terra, pelo menos um terço dos brasileiros. Incrivelmente, a taxa de destruição do mangues já é maior do que as florestas tropicais. O mangue é um ecossistema tão frágil quanto importante em termos de biodiversidade e segurança contra inundações e tempestades. A falta da barreira natural de mangues que cobria, originalmente grande parte do sudeste asiático e da Indonésia é uma das principais causas do número exorbitante de mortes e prejuízos por ocasião do tsunami de 2004.









Fonte imagens: Tribuna do NorteJunkfoodunmaskSlow Food Brasil, Greenpeace





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