segunda-feira, 3 de julho de 2017

Abapha Vintage Pop

"A moda passa, o estilo permanece", Coco Chanel


O blog não tem uma postagem específica sobre moda, há alguns guias informais de compras, escritos em função das minhas experiências pessoais, os marcadores "viagens" e "consumo consciente" ajudam. Não gosto da ideia de escrever sobre "o que comprar" exatamente porque em sustentabilidade o ideal é que se compre o mínimo possível. Quando a moda das camisetas a partir da fibra obtida com o pet reciclado decolou, preferi não dizer nada justamente porque estimula as pessoas a comprarem muitas garrafinhas de refrigerante para então reciclar o resíduo que vai virar uma camiseta engajada. E o problema é sempre esse: refrigerante, além de só fazer mal, é ambientalmente insustentável, pet é derivado de petróleo e as tais camisetas se revelaram um problema, já que liberam micropartículas de polímero durante a lavagem e essa água de descarte acaba no mar, sendo ingerida pelos peixes. Enfim, você acaba comendo o resíduo da tal camiseta "verde", quando o peixe sobrevive também é importante salientar.

Pior, a indústria da moda, além de incentivar padrões de beleza inatingíveis, ainda é uma referência mundial em trabalho escravo. Dos camelôs bolivianos às lindas lojas da Zara, passando pelo magazine Marisa, muito pouca gente escapa.

Para fugir de tudo isso, eu acertei essa equação comprando roupas de segunda mão.
Mais de 90% do meu guarda roupa é de brechó e bazar de caridade. Não compro mais outro tipo de roupa há anos, além de muito mais barato, a roupa de segunda mão é a roupa reciclada por definição, afinal está sendo reaproveitado o que iria para o lixo.
Bom, bonito e barato - o que é cada vez mais raro.
As únicas exceções que ainda abro, são as roupas íntimas, de ginástica, natação-praia e as camisetas básicas de algodão orgânico ou algodão com bambu - os primeiros pela higiene íntima e as camisetas porque acabam com o uso. Até meus jeans são de segunda mão e, como já é regra em bons brechós e bazares, todas as peças vieram lavadas e passadas.
Brechós não precisam ser empoeirados e sujos com antigos vestidos de festa em estilo senhoril empilhados. Na esquina da minha rua nos tempos do Flamengo, havia um brechó-antiquário muito sofisticado dentro de um apart hotel idem. Um dia, as proprietárias liquidaram mais de 100 jeans a R$10,00 cada um, estavam encalhados e era tudo de marca e praticamente novo. Fiz uma coleção de meia dúzia em todos os modelos e cores que sonhava pelo preço de uma camiseta nova nas mesmas lojas caras. De novo: coleção pequena, ninguém consegue usar dúzias de calças.
Se você levar tudo, não sobra para as outras pessoas, que talvez até estejam precisando mais. Não aproveite para surtar porque é barato e sustentável, é para todos.
Comprou por impulso, chegou em casa e não coube, usou duas vezes e não é a sua cara? Tudo bem, foi muito mais barato, mas doe no bazar de caridade mais próximo. Não aproveite para fazer um armário gigante e encalhado, nem compre pensando em trocar com as amigas, compre só o que precisa e doe a quem não tem o que não precisar mais.

Numa das minhas andanças pelos brechós do Rio, já vi até uma moça encontrar um lindo vestido off-white, bem anos 70 no estilo "Julieta" e dar um gritinho para a amiga ao lado "Encontrei meu vestido de noiva!". Por falta de uma terceira amiga, ainda pediram minha opinião, que dei a maior força é claro. Foi no Brechó do Pantera, no segundo andar do Shopping dos Antiquários em Copacabana, onde eu também tive a sorte de morar em frente. O Pantera, além de costurar, ainda por cima é DJ, a música ambiente do brechó dele era um luxo.
E aqui na Tijuca, eu cheguei até a morar em cima de um antiquário e brechó familiar que funciona até hoje num casarão antigo, o que foi uma experiência ótima, que me permitiu comprar muito barato todas as jarras, taças, bandejas e travessas sofisticadas que se ganham de presente de casamento.

Anos depois, a trabalho em Florianópolis, uma das coisas que mais me impressionou, foi a quantidade de brechós revendendo roupas praticamente sem uso. Pela metade do preço de um único vestido novo no shopping, comprei meia dúzia de peças em brechós descolados de um lugar idem, a Lagoa da Conceição. E, com o que economizei, pude ficar mais um dia na cidade.


A barraquinha dela na Feira de moda e food truck da Praça Afonso Pena já havia aparecido aqui no guia slow da Tijuca, mas ao longo desses anos, aprendi a gostar e respeitar ainda mais o trabalho bacana que ela e a mãe, Dona Célia, fazem, e assim, hoje, o Abapha Vintage Pop ganha postagem exclusiva.








Você vem andando pela pracinha depois de comer seu sanduba gourmetizado no food truck, já com um brigadeirinho diferentão na bolsa e se depara com um manequim desses, assim à luz do dia. Depois de se deparar, você para, olha e é atendido pela Flavia.










Então, a Flavia te informa que tem página no Facebook, Abapha Vintage Pop, que faz outras feiras e sempre divulga muita coisa. Quando você chega em casa, essas produções todas começam a fazer parte da sua timeline.




Você começa a curtir a página do Abapha Vintage Pop, acha as fotos lindas e depois de algumas feirinhas, surge uma oportunidade para conhecer o acervo, que é na casa da Flavia aqui na Usina, sub-bairro da Tijuca na subida do Alto da Boa Vista.
A casa é um charme, colada a um rio em ruazinha bucólica a 15 minutos do Centro. E cheia dessas produções vintage penduradas pelo jardim.




















As blusitchas em cambraia e renda feitas pela Dona Célia, a Mommy Poderosa da Flavia, que é um amor de pessoa, cozinha divinamente e sabe fazer até perfume.








As fotos dessa postagem são todas da página pública do Abapha de peças que já foram vendidas a outras pessoas. Não são peças que estão a venda, porque não fazemos propaganda. Nem minhas porque não sou blogueira de moda, postando todos os seus looks diários no Instagram.
Esse blog nem tem Instagram.
Eu não quero estimular a compra de nada nem ser modelo para ninguém. Mas eu gostaria muito que você que está lendo, seja sua própria referência independente da indústria da moda. Com qualquer corpo, em qualquer idade, dentro do seu estilo, sem comprometer seu orçamento ou explorar qualquer forma desumana de produção. Afinal, nada é mais chique do que a gentileza.









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