quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Seus jeans são mais poluentes do que você imagina

O Brasil é o maior produtor de jeans da América Latina e o terceiro maior do mundo. Só em 2012, o país produziu 350 milhões de peças. Mas você sabe quantos litros de água são consumidos para produzir uma única calça? E como são descartados os efluentes utilizados no processo de fabricação?

Para produzir uma única calça são utilizados em média de 3.000 a 10.000 litros de água e todo o processo de tingimento é um dos mais poluentes do planeta, já que os químicos têxteis são descartados sem nenhum critério nos rios dos entornos das fábricas. Hoje, a própria Levi´s recomenda que calças usadas diariamente não sejam lavadas mais de uma vez por mês e outras indústrias já vêm trabalhando e conseguindo reduzir em 95% o consumo de água em toda cadeia produtiva.

Leia a resenha e assista ao documentário RiverBlue acerca da poluição que devastou cidades inteiras na China e na Índia, já que um em cada três pares de jeans vendidos no mundo é produzido na cidade industrial da província de Guangdong.

Solução imediata para o problema: comprar menos, comprar apenas o estritamente necessário e quando comprar, se não for de segunda mão, que seja com origem de procedência. A indústria da moda, além de poluente, é campeã junto com a pecuária em trabalho escravo. Somos nós que financiamos esse flagelo sócio ambiental. Nada é mais elegante do que a gentileza e uma vida justa e melhor para todos.






River Blue – O documentário que denuncia a poluição dos rios pela fabricação de jeans

RiverBlue é um documentário canadense que faz uma viagem ao redor do mundo por via fluvial, tornando-se um dos documentários mais ambiciosos sobre rios já realizado. O documentário mostra toda poluição dos rios causada pelo processo de tingimento de tecidos, lavanderias de jeans e curtumes de couros.

Apresentando pelo famoso conservacionista Mark Angelo, que é um dos maiores expecialistas do mundo sobre rios, o documentário apresenta a triste poluição dos rios nos países asiáticos pelas milhares de fábricas que produzem artigos de moda para alimentar a indústria do fast fashion. Depois as pessoas se perguntam por que os “ETS” não fazem contato conosco.

No documentário, ele e sua equipe filmam algumas das fontes de água mais puras para as mais devastadas do mundo. Esse é o primeiro documentário que explora com profundidade a destruição em nossas vias navegáveis para atender a imensa fabricação de têxteis e curtumes. A equipe do RiverBlue disse que “a indústria de denim servirá como o pior cenário no filme, revelando os casos preocupantes de como podemos mostrar essa pouca atenção para o que a natureza nos deu.”
River Blue mostra a poluição causada pelos cortumes de couro e tingimento de tecidos mas foca principalmente num dos itens de vestuário mais icônicos e versáteis da moda, o jeans. Bilhões de peças jeans são feitas a cada ano e sus produção muitas vezes contamina os rios, lagos e reservatórios.

Mark Angelo apresenta algumas vias navegáveis, como o rio Yamuna na Índia, o Delta do Rio das Pérolas na China, e o Rio Citarum na Indonésia para revelar a poluição venenosa de fabricação de denim, bem como o impacto que essas águas poluídas têm sobre as pessoas que dependem delas. O documentário será lançado este ano veja abaixo o trailer.


RiverBlue - Trailer Two from RiverBlue on Vimeo.



Ao longo dos anos tem havido muita conversa sobre o “fast fashion” em blogs, redes sociais e mídia e seu impacto sobre o meio ambiente e os trabalhadores. A hiper produção de moda barata causa o hiper consumismo de ítens descartáveis, mas não é o consumidor que está pagando por um volume cada vez maior de roupas, mas sim o meio ambiente.

No filme, Orsola de Castro, uma designer de moda ecológica de Londres e co-criadora do movimento Fashion Revolution, comenta que a indústria da moda tem que investir seriamente na “transparência, zero toxicidade e rastreabilidade” e que os consumidores vão exigir saber quem, onde e como as nossas roupas são feitas e se a fabricação de moda está causando um efeito negativo sobre o meio ambiente. As gerações que estão movendo essa mudança são as gerações Y e Z como mostrei neste post.

A produção das incônicas calças jeans é muito mais tóxica do que as pessoas acham. Muitas vezes para se chegar aquela lavagem perfeita que as pessoas amam, foi preciso várias lavagens químicas intensivas. O documentário entrevista os ativistas do Greenpeace recolhendo amostras da água do rio onde as fábricas de denim despejam seus afluentes químicos e encontraram cinco metais pesados (cádmio, cromo, mercúrio, chumbo e cobre) em 17 de 21 amostras de água e sedimentos retirados do rio que corta Xintang, a cidade chinesa conhecida como a “Capital mundial de fabricação de jeans“.


Um em cada três pares de jeans vendidos no mundo é produzido nesta cidade industrial, na província de Guangdong. À primeira vista, as suas estatísticas de produção são impressionantes: as fábricas produzem 300 milhões de artigos denim por ano, empregando 220.000 pessoas. Cerca de dois terços do denim fabricado na China é produzido em Xintang para 60 marcas estrangeiras diferentes.

Obviamente que concentrar uma produção gigantesca dessas causa enorme poluição, tanto que os moradores se recusam a trabalhar em suas indústrias têxteis. Ativistas na China descobriram nos rios metais pesados como o manganês, que pode ser associado com danos cerebrais.
Eles também encontraram uma grande quantidade de metais pesados que são neurotóxicos, cancerígenos, que perturbam o sistema endócrino causar câncer de diferentes órgãos. Em resumo, uma desgraça. A destruição de seu meio ambiente foi o preço pago pela China para se tornar a “Fábrica do Mundo”.

Muitas vezes é mencionado que a próxima guerra não será travada por causa do petróleo, mas pela água. É uma possibilidade forte pois continuamos a poluir sem parar estragando nosso recursos hídricos. Os rios são como as veias sanguíneas do nosso planeta e não podemos viver sem eles. O planeta morreria se continuarmos a poluir os rios.

A responsabilidade para acabar com esse absurdo é do consumidor que tem a palavra final para exigir uma mudança drástica nos métodos de fabricação têxtil, pois a moda tem impactado negativamente o meio ambiente há décadas. A pressão sobra as marcas de moda tem que ser feita através da mídia social para investirem em novas tecnologias limpas de desintoxicação, que por sua vez teria um efeito positivo sobre a saúde dos rios em muitos lugares do mundo.
Ninguém, na minha opinião, quer comprar de marcas que poluem.

Site do documentário River Blue.







A famosa marca de roupas Levi’s lança linha de jeans que consome menos água no processo de fabricação

A empresa afirma ter noção de que não é a redução de água na fabricação de calças jeans que vai acabar com o problema do desperdício de água no mundo. No entanto, entende que se trata de uma boa contribuição. De acordo com a Levi’s®, a quantidade de água investida para se produzir um jeans no modelo tradicional e lavá-lo daria para uma pessoa moradora de um país em desenvolvimento lavar, comer, limpar e beber por quatro dias.

Sabe quantos litros de água usamos, em média, para lavar uma calça jeans? Cerca de 21! E no processo de produção da peça, uma empresa gasta aproximadamente 42 litros de água para tingir, lavar e finalizar o material.

Consciente da popularidade das calças jeans e da necessidade de reduzir o volume de água desperdiçada nesses processos, a Levi’s® desenvolveu um tipo de jeans diferente, o Water
De acordo com a fabricante, o produto em questão reduz o consumo de água gasta na fabricação em 28% por unidade, chegando até a 96% em determinados modelos. Para evitar ao máximo o uso de água na produção, as calças foram desenvolvidas com a adição de resinas, areia, óleos de bebê, entre outros materiais.

Segundo o designer da marca, Carl Chiara, o processo de lavagem normal para a fabricação de um jeans poderia gastar até 151,4 litros de água. Com a nova tecnologia feita em uma máquina de ozônio, basta um copo d’água. Conheça os dez processos de desenvolvimento de acordo com o designer, no vídeo abaixo:

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